sexta-feira, junho 4

devir em dívida

saudade desonrosa...
por quê?
porque nada a justifica,
só um estranho vir-a-ser
que não foi

meu olho

lente
faz tela
remela
espelho
chora
seca
brilha
...
te corta
te disseca
te inunda
e, por fim,
te ilumina

sexta-feira, maio 21

bruma

entramados
descontinuidades
entranhados
conexões
fendas, feridas...
nós e dois no feno
fenômenos!
baixo relevo
relevo-te, relevo

quarta-feira, dezembro 2

brios

entre a pergunta que não quer calar e a pergunta que me cala, tenho mais medo da segunda...

domingo, setembro 20

nossa queda (movimento orientado, meu bem)

de livre, nada
é fascínio, certeza de vísceras
porque do chão não passa
ascenção não...
sinuosa, inclinada, espiralada
o crescer é sempre mais caprichoso
cair espiralado???
seria lindo...
deixo cair e finjo dar liberdade
não, não, não!
a queda não é livre, quando muito ela livra
livra de escolher... lavra outra prisão

foca

foca, minha gente
foca nela

nos olhos dos outros
equilibrio do nariz próprio...

foca nela!

passa, repassa e derrapa
bola desfocada no nariz da foca

vesga: nesga de sol
nesga de vida, vulto no nariz

nesga de vício,
vai e foca nela

é bela, é bola
...boba

sábado, setembro 19

incordiais

sem saber do adeus definitivo
já foram suprimindo o até logo